Um site de médico vira consulta marcada quando responde, sem rolar muito, as cinco perguntas que o paciente traz: quem é o médico (nome, CRM e RQE), o que ele trata, onde atende, se aceita o convênio dele e como marcar agora. O resto (design, textos longos, blog) ajuda, mas não compensa a falta de nenhuma dessas cinco.
E tudo isso dentro da Resolução CFM nº 2.336/2023, que exige nome, CRM com a palavra MÉDICO e, para especialista, o RQE na página principal, e veda promessa de resultado, autopromoção e anúncio de consulta gratuita. Site bonito que descumpre isso é risco ético, não ativo.
O que o paciente procura na página do médico?
Quem chega ao site de um médico veio de uma busca, do Instagram, de uma indicação ou do ChatGPT, e quer decidir rápido se marca. A página precisa entregar, nesta ordem:
- Especialidade e o que trata, em linguagem de paciente: "acne, manchas e queda de cabelo" ajuda mais que "cuidando da sua pele".
- Quem é o médico: nome, foto real, CRM com o estado, RQE e formação.
- Onde atende: endereço com mapa, estacionamento e acessibilidade do prédio.
- Convênios aceitos e se atende particular, numa lista clara.
- Como agendar, com um botão visível no celular sem precisar rolar.
A Resolução CFM 2.336/2023 permite exatamente esse tipo de informação: forma de marcação de consulta, horários e funcionamento do consultório (art. 9º, IV), características do local, como estacionamento e localização, e os planos e seguros atendidos (art. 9º, V). Também permite informar o valor da consulta e as formas de pagamento (art. 9º, VI).

O que o CFM exige e o que veda no site
A resolução lista sites entre as redes próprias do médico (art. 8º, § 1º), onde a publicidade pode ter o objetivo de formar e ampliar clientela (art. 8º, § 2º). O detalhe de cada uma está no nosso guia sobre o que o CFM permite e proíbe.
Identificação obrigatória. O art. 4º exige nome, número de registro no CRM acompanhado da palavra MÉDICO e, quando registrada, a especialidade ou área de atuação seguida do RQE. O art. 6º manda que esses dados fiquem na página principal. O Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018), no art. 117, completa: o anúncio traz o número do CRM com o estado da Federação e o RQE quando anunciar especialidade. Na prática, rodapé de todas as páginas com algo como "Dra. Nome Sobrenome, MÉDICA, CRM-SP 000000, Dermatologia RQE 00000".
Clínica tem regra própria. O art. 5º pede o nome do estabelecimento com o registro no CRM e o nome do diretor técnico-médico com CRM, e RQE onde for exigível. Cada médico do corpo clínico apresentado no site entra com os próprios dados do art. 4º.
O que não pode aparecer:
- Promessa ou insinuação de bom resultado (art. 11, XII). "Resultado garantido" e "volte a sorrir em 7 dias" saem.
- Autopromoção e sensacionalismo (art. 11, XVI), como se atribuir qualidades privilegiadas (§ 3º). "O melhor", "referência número 1" e "único na região" são exemplos.
- Selos de "melhor médico" ou "destaque da especialidade" (art. 11, XIII).
- Anunciar consulta gratuita no consultório privado (art. 11, § 4º, c). "Primeira avaliação grátis" é vedado.
- Médico não especialista dizer que trata órgão, sistema ou doença específica (art. 11, I). Isso pesa na arquitetura do site.
- Anunciar especialidade ou área de atuação não registrada no CRM (art. 114 do Código de Ética).
Depoimento e antes e depois. Depoimentos sobre a atuação do médico precisam ser sóbrios, sem adjetivos de superioridade nem promessa (art. 14, II, g). Antes e depois só com finalidade educativa, em conjunto de imagens com evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações (art. 14, II, b), sem edição que melhore a imagem (f), com autorização do paciente e anonimato garantido (i).
Página única ou uma página por especialidade e procedimento?
Esta é a decisão que mais muda o desempenho no Google. A página única tenta ranquear para dezenas de buscas com um texto só; páginas separadas respondem a buscas específicas ("tratamento de melasma em Marília") e dão ao paciente o que ele procurou.
| Formato | Quando faz sentido | Cuidado ético | Efeito no Google |
|---|---|---|---|
| Página única | Médico recém-instalado, poucas frentes | Identificação completa no topo | Ranqueia para o nome e pouco mais |
| Página por especialidade | Clínica com várias especialidades | Cada página com médico, CRM e RQE daquela área | Cobre buscas por especialidade e cidade |
| Página por condição ou procedimento | Especialista com RQE nas frentes de maior procura | Só para quem tem RQE na área (art. 11, I) | Responde buscas de cauda longa |
| Blog educativo | Quando há quem revise e publique com frequência | Caráter educativo, sem promessa | Apoia as páginas principais, não substitui |
O ponto que muita clínica ignora: a página "Tratamento de enxaqueca" assinada por clínico geral sem RQE em neurologia pode esbarrar no art. 11, I. A página por condição existe quando o responsável é especialista naquilo, com nome e RQE na própria página. Isso também ajuda no Google, porque deixa claro quem é o autor, assunto que aprofundamos em SEO para médicos.
Como o paciente agenda: WhatsApp, agenda online ou telefone?
O canal certo é o que a recepção consegue atender bem. Ofereça no máximo dois, um em destaque.
- WhatsApp: o mais fácil de abrir no celular. Funciona quando alguém responde rápido. Botão com mensagem pronta ("Olá, vim pelo site e quero agendar com a Dra. Fulana") ajuda a recepção a saber de onde veio o contato.
- Agenda online: o paciente escolhe o horário sozinho. Exige agenda sempre atualizada; horário livre que não existe derruba a confiança.
- Telefone: número clicável, com horário de atendimento ao lado.
- Formulário: útil quando a clínica liga de volta. Peça o mínimo: nome, telefone, convênio e especialidade. O artigo sobre formulário que converte mostra por que cada campo a mais custa contatos.
Velocidade no celular e acessibilidade
O paciente abre o site no celular, muitas vezes com conexão fraca. O Google recomenda, nas Core Web Vitals, que o maior elemento da página carregue em até 2,5 segundos (LCP), que a resposta a toques fique abaixo de 200 milissegundos (INP) e que o layout não pule durante o carregamento (CLS abaixo de 0,1). Fotos enormes do consultório e carrosséis pesados são os vilões mais frequentes. O passo a passo para medir está em site lento.
Acessibilidade não é detalhe em saúde. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) torna obrigatória, no art. 63, a acessibilidade nos sites mantidos por empresas com sede ou representação comercial no país, conforme as diretrizes adotadas internacionalmente. O básico: texto com contraste suficiente, letra que aumenta sem quebrar a página, botões grandes, imagens com descrição e formulário que funciona só com teclado.
Dados estruturados para médico e clínica
Dados estruturados são um código que descreve quem é o negócio, onde fica e quando atende. A documentação do Google Search Central para negócio local pede como obrigatórios o nome e o endereço, recomenda telefone, horário de funcionamento e coordenadas, e orienta usar o subtipo mais específico possível. No vocabulário do Schema.org, médico e clínica têm tipos próprios, como Physician e MedicalClinic, ambos derivados de MedicalBusiness.
Duas ressalvas. O próprio Google avisa que não garante que os recursos que usam esses dados apareçam nos resultados, então marcação não é atalho para posição. E a mesma documentação recomenda a propriedade de nota média só para sites que reúnem avaliações de outros negócios: colocar no próprio site as estrelas das suas avaliações não é o uso previsto. Para avaliações, o lugar é o Perfil da Empresa no Google.
Clareza também ajuda nas IAs: quando o ChatGPT busca um especialista numa cidade, lê páginas que dizem quem atende, onde e o quê. Não há garantia de citação.
LGPD no formulário de saúde
A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) define, no art. 5º, II, dado referente à saúde como dado pessoal sensível, e o art. 11 limita o tratamento desse tipo de dado a hipóteses específicas. Uma delas é o consentimento do titular de forma específica e destacada, para finalidades específicas.
Para o site, a regra prática é simples: não colete dado de saúde onde ele não é necessário. Para marcar consulta, nome, telefone, convênio e especialidade bastam. Campo aberto de "conte seus sintomas" convida o paciente a mandar dado sensível por um canal que talvez não tenha a proteção devida. Tenha política de privacidade acessível, diga para que serve cada dado e restrinja quem lê os contatos. A base legal do seu caso é conversa para o advogado ou o encarregado de dados.
Site ou perfil em plataforma de agendamento?
Plataformas como a Doctoralia têm audiência própria e agenda pronta, e para muitos consultórios são fonte relevante de pacientes. O site cumpre outro papel: é o canal em que o médico controla o texto, a medição de origem e a relação com o paciente.
Os dois são complementares: perfil na plataforma, Perfil da Empresa no Google e o site como destino dos anúncios e do Instagram. Se você investe em Google Ads para médicos, o site é o que permite medir o clique até o agendamento.
Quanto custa um site para médico?
Depende do número de páginas, de quem escreve os textos, das integrações com agenda e WhatsApp e da medição. Na KING, um site institucional costuma partir de R$ 5.000, como explicamos em quanto custa um site profissional. Clínica com várias especialidades tende a custar mais, porque o conteúdo é a maior parte do trabalho. Desconfie de proposta que não diz quem escreve os textos nem quem revisa a conformidade com o CFM.
Quando esta orientação muda
- Norma nova do CFM ou atualização do manual da Codame: a tabela de permitido e vedado acima segue a Resolução 2.336/2023 em vigor na data deste artigo.
- Clínica com outras profissões (nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta): cada profissional responde ao próprio conselho, e a página dele segue as regras dele.
- Telemedicina: consulta a distância tem regulamentação própria do CFM, e o site que vende teleconsulta precisa seguir também essa norma.
- Cidade muito pequena: com pouca busca, o peso vai para o Perfil da Empresa no Google e a indicação, e o site serve mais como prova.
Por onde começar
Abra o seu site no celular e cronometre quanto tempo leva para achar o CRM, o RQE, os convênios e o botão de agendar. Se algum deles exigir mais de duas rolagens, esse é o primeiro ajuste. Depois procure no texto as palavras "melhor", "garantido", "grátis" e "único".
Se quiser um site planejado para a especialidade, com identificação do CFM e medição de origem desde o primeiro dia, veja como trabalhamos o marketing para médicos, a criação de sites e o recorte por especialidade, como o marketing para dermatologistas.
Perguntas frequentes
O site do médico precisa ter CRM e RQE?+
Sim. A Resolução CFM 2.336/2023 exige nome, número do CRM com a palavra MÉDICO e, para especialista, a especialidade com o número do RQE (art. 4º), dispostos na página principal (art. 6º). O Código de Ética Médica, art. 117, pede ainda o estado do CRM. O mais seguro é repetir esses dados no rodapé de todas as páginas.
Posso colocar o valor da consulta no site?+
Pode. O art. 9º, VI, da Resolução CFM 2.336/2023 permite informar valores de consultas e formas de pagamento. Preço de procedimento é outro caso: a resolução fala em informar que o valor poderá ser acordado entre as partes, e a dúvida sobre publicar deve ir para a Codame do seu CRM.
Clínico geral pode ter página sobre uma doença específica?+
Com cuidado. O art. 11, I, veda ao médico não especialista divulgar que trata sistemas, órgãos ou doenças específicas. Conteúdo educativo genérico é diferente de página que oferece tratamento daquela doença. Na dúvida sobre um texto concreto, consulte a Codame.
Depoimento de paciente pode aparecer no site?+
A resolução trata de depoimentos sobre a atuação do médico e exige que sejam sóbrios, sem adjetivos de superioridade nem promessa de resultado (art. 14, II, g). O paciente não pode ser identificado sem autorização, e o sigilo do Código de Ética continua valendo.
Dados estruturados colocam o site no topo do Google?+
Não. A documentação do Google diz que não garante que os recursos que usam dados estruturados apareçam nos resultados. Eles ajudam o buscador a entender nome, endereço, horário e tipo do negócio, e são uma base técnica, não um atalho de posição.
Preciso de site se já tenho perfil em plataforma de agendamento?+
São canais complementares. A plataforma tem audiência e agenda pronta; o site é o canal que o médico controla por inteiro, com o texto, a medição de origem e o destino dos anúncios. Muitos consultórios mantêm os dois.
Fontes
- Resolução CFM nº 2.336/2023, texto integral em PDF (Conselho Federal de Medicina), consultado em 31/10/2026.
- Código de Ética Médica, Resolução CFM nº 2.217/2018, texto em PDF (Conselho Federal de Medicina), consultado em 31/10/2026.
- Lei Geral de Proteção de Dados, Lei 13.709/2018, publicação original no portal da Câmara dos Deputados, consultado em 31/10/2026 (o portal do Planalto não respondeu na consulta).
- Lei Brasileira de Inclusão, Lei 13.146/2015, publicação original no portal da Câmara dos Deputados, consultado em 31/10/2026.
- Google Search Central: dados estruturados de empresa local (LocalBusiness), consultado em 31/10/2026.
- Google Search Central: Core Web Vitals e resultados da Pesquisa, consultado em 31/10/2026.
- Schema.org: tipo Physician e tipo MedicalClinic, consultados em 31/10/2026.
Equipe editorial KING Marketing
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